Sunday, January 17, 2010

O dever de compartilhar

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Relação da linguagem com a filosofia e antropologia filosófica

Relação da linguagem com a filosofia e antropologia filosófica
Miguél Eugenio Almeida (UEMS)

Considerações Iniciais
Pretendemos, aqui, apontar possível relação interdisciplinar da Historiografia Lingüística (HL) com a Filosofia, em geral, e com a Antropologia Filosófica, em especial. O que não é nosso propósito, no caso, tecer profundas considerações, mas o suficiente que permitam vislumbrar a interdisciplinaridade com tal. A concepção da língua como produto histórico-social implica, antes de tudo, a dimensão do homem como ser de linguagem e como ser social, no contexto da Antropologia Filosófica. O homem revela-se e revela a realidade do mundo perante a linguagem.
Ao relacionarmos a HL com a Filosofia, estamos buscando o princípio do Ser; na Antropologia Filosófica, indagamos a posição do homem no mundo. Assim, a linguagem compreende a relação do homem com todas as coisas. A linguagem envolve o Ser em toda a sua plenitude, como diria Heidegger: a linguagem é a casa do ser. Isto é, o Ser está na linguagem e vice-versa. Tudo o homem diz, faz ou pensa está presente à linguagem. É pertinentes a relação da mesma (linguagem) com toda produção cultural humana.
A linguagem, a filosofia e a Antropologia Filosófica estão intimamente relacionadas, porque, cf. Mondin (1980: 132), (...) a propriedade de falar distingue nitidamente o homem dos animais e de qualquer outro ser deste mundo e faz dele um ser totalmente singular. Assim, o falar compreende a expressão do homem sobre tudo o que o envolve, inclusive a metalinguagem.

A Linguagem nos Primórdios do Filosofar
Antes de colocar os pontos de relação da linguagem com as mesmas, faz-se pertinente mencionar, mesmo que em poucas palavras, o panorama histórico da colocação da linguagem pelos pensadores do período antigo até o período contemporâneo abordada sob os seguintes aspectos: origem e função. Em seguida, passamos a tratar mais especificamente da relação linguagem com a filosofia compreendendo a questão da linguagem e transcendência onde depreendemos as funções e valor da linguagem sob a ótica filosófica.
A Filosofia Antiga e Medieval centrou os estudos na questão metafísica - o ser -; a Filosofia Moderna com Descartes entendeu que o ponto chave dos questionamentos filosóficos se voltasse ara a Gnosiologia – Teoria do Conhecimento –. Já Filosofia Contemporânea com Thomas Moore, Witgenstein, Russel e a Escola de Viena, ou seja, os neopositivistas anglo-americanos, estruturalistas, existencialistas (discípulos de Heidegger), hermeneutas (Gadamer, Ricoeur) e seguidores de Santo Temas e Karl Marx centraram os problemas filosóficos côo problemas lingüísticos.
Na Filosofia Antiga, Pitágoras, Demócrito e Empédocles trataram da origem da linguagem entendendo que a mesma é o espelho imediato das coisas – natureza ou divindade -. As mesmas (natureza ou divindade) expressam, mostram, a linguagem. Demócrito, cf. Cassirer (1977: 183), (...) foi o primeiro a propor a tese de que a linguagem humana se origina de certos sons, de caráter puramente emocional. Cassirer (op. cit., p. 178) reporta-se ao princípio cosmológico do ser de Heráclito quando diz: O logos transforma-se no princípio do universo e no primeiro princípio do conhecimento humano. Ou seja, a palavra é o princípio da existência do ser, porque sustenta o ser, continua Cassirer (op. cit., p. 179): Mesmo no pensamento de Heráclito, a palavra, o Logos, não é simplesmente um fenômeno antropológico. Não está confinado nos estreitos limites do mundo humano, pois possui verdade cósmica universal.
Os sofistas, cf. Cassirer (op. cit., p. 183), (...) foram os primeiros a tratar os problemas lingüísticos e gramaticais de maneira sistemática. Porque viam o lado pragmático da linguagem; onde entendiam, continua Cassirer (id. ibid.), Sua verdadeira função [dos nomes] não é descrever as coisas, mas despertar emoções humanas; não é transmitir simples idéias ou pensamentos, mas levar os homens a certas ações. Ou ainda, conduzir os atenienses a ascender a cargos públicos. Assim, compreende Cassirer (op. cit., p. 182),
Na vida ateniense do século V, a linguagem se tornara instrumento para propósitos práticos definidos e concretos, sendo a mais poderosa das armas nas grandes lutas políticas. Sem ela ninguém poderia esperar desempenhar um papel importante.
Para Aristóteles, a linguagem é instrumento do pensamento e tem como função representar as coisas. As coisas passam a existir, diz Aristóteles, à medida que a nomeamos. De acordo com Aristóteles, a linguagem é natural na sua função e convencional na sua origem. Ou melhor, a linguagem está presente na natureza humana no seu aspecto funcional de representar as coisas para intrumentalizar o pensamento; e no aspecto de sua origem, ela é convencional. A partir da necessidade intrínseca funcional da linguagem é que o homem inventa a mesma num contexto sócio-cultural.
Santo Agostinho estabelece inter-relação da linguagem com as coisas e com o “Verbo Divino” que é a fonte legítima da verdade.
Os escolásticos classificam a linguagem em três modos: linguagem literal; linguagem analógica e linguagem simbólica. Assim, os signos lingüísticos classificam-se, cf. os mesmos, em naturais e artificiais. Podemos, deste modo, perceber a relação existente entre os signos naturais com a linguagem analógica, principalmente, e simbólica; enquanto que os signos artificiais relacionam-se com a linguagem literal. Dentro deste contexto relacional da linguagem e signo, Cassirer (op. cit., p. 186-187) observa o seguinte:
‘Transferência metafórica’ que encerra, em poucas palavras, todo nosso problema, e significa que emissões de som, que até então haviam sido simples gritos, descargas involuntárias de emoções fortes, estavam realizando uma tarefa inteiramente nova. Estavam sendo usadas como símbolos contendo um significado definido.
O ser humano, à medida que foi usando toda sua competência lingüística, foi aos poucos aprimorando e recriando novas formas significativas através do meio sócio-cultural a que está inserido.
Os renascentistas deram início aos estudos filológicos e filosóficos da linguagem. Eles perceberam que a linguagem tem papéis importantíssimos na vida do ser humano. É pela linguagem que o ser humano respira, passa a existir como um ser único.
No período moderno da história do pensamento, Herder entende que a origem da linguagem é natural e Humboldt a coloca como sendo expressão de um povo. Isto é, a natureza e a expressão humana são fontes da origem da linguagem.
Na contemporaneidade, os neopositivistas e analistas da linguagem representados por Ayer, Carnap, Mac Quarrie, Russel e Witgenstein buscam no ângulo semântico da linguagem um critério geral de significação. Já, no aspecto gnosiológica, Gadamer e Ricoeur compreendem a linguagem como fonte primária do conhecimento. Para Heidegger, no contexto ontológico, o ser é revelado pela linguagem. Os marxistas e estruturalistas, da expressão de Altusser, Derrida, Saussure, Levi-Straus e Piaget, sob a ótica do social, apontam na linguagem a estrutura que sustenta e clarifica todas as outras estruturas da sociedade. Já os discípulos de Freud, numa abordagem psicanalítica, entendem que a linguagem como luminária dos mistérios do subconsciente.

A Importância da Linguagemna Antropologia Filosófica
A linguagem eleva substancialmente o ser humano com relação aos demais seres vivos quando ascende aos degraus “do mundo da sensação ao mundo da visão e da representação”. A mesma enaltece-o qualitativamente através da ação da inteligência que produz ciência e tecnologia que o habilita a uma transformação melhor do seu mundo, cf. Cassirer (Apud MONDIN, 1980: 135):
A linguagem é um dos meios fundamentais do espírito, graças ao qual se realiza a nossa passagem do mundo da sensação ao mundo da visão e da representação. Ela compreende já em germe o trabalho intelectual, que em seguida se exprimirá na formação do conceito científico e como unidade lógica da forma.
Cassirer (op. cit., p. 349) eleva, em grau de importância, a linguagem como elemento humano entre os demais (mito, arte, religião e ciência) no seio da sociedade quando coloca:
Mas no caso do homem encontramos não apenas, como entre os animais, uma sociedade de ação, mas também uma sociedade de pensamento e sentimento. A linguagem, o mito, a arte, a religião, a ciência são os elementos e condições constitutivas desta forma superior de sociedade. São os meios pelos quais as formas de vida social, que encontramos na natureza orgânica, envolvem para um novo estado, o da consciência social que depende de um duplo ato, de identificação e descriminação.
Heidegger (Apud MONDIN, op. cit., p. 136) enfatiza a capacidade inativista de falar, ou seja:
O homem fala. Nós falamos na vigília e no sono. Falamos sempre, até quando não proferimos palavra, mas escutamos nenhuma palavra, mas escutamos ou lemos, mas nos dedicamos ou nos perdemos no ócio. De um modo ou de outro, falamos ininterruptamente. Falamos porque o falar é inato. O falar não nasce de um ato particular de vontade. Diz –se que o homem é de natureza falante e é próprio dele, ao contrário das plantas e dos animais, é o ser vivente capaz de falar. Dizendo isso, não se pretende afirmar apenas que o homem possui, ao lado de outras faculdades, também de falar.
Pretende-se dizer eu propriamente a linguagem faz do homem o ser vivente que é enquanto homem.

Linguagem e Transcendência
A linguagem está assim tão presente na vida do ser humano que o coloca em situação de transcendência com relação aos demais seres do mundo envolvente. Vejamos as condições transcendentais da linguagem na inter-relação do homem com o seu universo:
· sujeito que fala (e se exprime falando)
· objeto de que se fala (e se representa mediante a palavra)
· interlocutor a quem se fala e com quem se quer comunicar falando.
Mondin (op. cit., p. 140-141) enfatiza a respeito: “(...) não há linguagem se não há alguém que fala. Mas ele não fala se não tem nada para dizer e não há alguém para quem dizê-lo”.
Para MAC QUARRIE (Ha senso parlare di Dio?: p. 66-67)) a relação das condições transcendentais são feitas pela linguagem: (...) É a linguagem que faz o papel intermediário para a relação triádica, e é propriamente isso que a constitui.

Funções e Valor da Linguagemna Antropologia Filosófica
Antes de entrar nas funções e valor da linguagem, observemos como a divisão pode ser feita:
· Divisão dicotômica (Ogden-Richards, Carnap, Ayer, Stevenson, Austin etc.).
Função:


OBJETO
- descritiva
- cognitiva
- denotativa
- representativa
- simbólica
- emotiva
- performativa
- existencial
- pessoal
SUJEITO QUE FALA










No quadro acima, o primeiro quadro (função descritiva) está relacionado com o objeto da fala; enquanto que o segundo quadro (função emotiva) está relacionado com o sujeito que fala.
· Divisão triádica – se junta as funções acima mais a comunicativa ou intersubjetiva que se centra no interlocutor.

Função Descritiva
- Corrente neopositivista e analítica.
- Valor absoluto à função denotativa (descritiva, cognitiva, objetiva). Nota: as demais funções carecem de sentido.
- Linguagem científica: clareza, precisão e objetividade.
- Critério de significação: verificação experimental.

Função Comunicativa
Função: comunicação sem, em muitíssimos casos, oferecer descrições de objetos, coisas, fenômenos, leis da natureza, mas afetos, sentimentos, desejos, comandos.
Barbotin (Apud MONDIN, op. cit., p. 145) faz o seguinte esclarecimento com referência a esta função: “A palavra trocada põe em comunicação entre si, ela desperta, mantém e consagra a abertura recíproca; mas ao mesmo tempo conserva algo de inexprimível.”

Função e Valor Existencial
Função: testemunhar aos outros e a nós mesmos a nossa existência. Ex: alguém perdido na floresta e na montanha.
- determinado,
- preciso
- qualificado




Testemunho palavra = densidade essencial através do nome.

Mondin (op. cit., p. 147) esclarece-nos sobre a relação ontológica do nome com a existência humana:
Mas além de superar os limites do espaço, o nome consente-nos também suplantar os confins do tempo: a nossa presença perdura mesmo depois da morte, enquanto que a lembrança do nosso nome permanece viva. Isso explica o desejo que todos nós temos de que o nosso nome torne-se famoso, adquira notoriedade: dessa maneira queremos garantir-nos uma certa eternidade.

Função Ontológica: Valor do Mito
Heidegger (Apud MONDIN, op. cit., p. 147) enfatiza sobre a noção ontológica do mito: O que faz existir a linguagem como linguagem é o Dizer original (die Sage) enquanto Mostrar (die Zeige). Assim, compreendemos a essência da linguagem como expressão e atividade humana. Logo, para Martin Heidegger, a linguagem tem um valor ontológico; o fundamental: a palavra não é somente habilidade e signo, mas também fonte e sustentáculo do ser das coisas. A linguagem eleva substancialmente o ser humano com relação aos demais seres vivos quando ascende aos degraus “do mundo da sensação ao mundo da sensação ao mundo da visão e da representação”. A mesma enaltece-o qualitativamente através da ação da inteligência que produz ciência e tecnologia que o habilita a uma transformação melhor do seu mundo, conforme Cassirer (Apud MONDIN, op. cit., p. 135):
A linguagem é um dos meios fundamentais do espírito, graças ao qual se realiza a passagem do mundo da sensação ao mundo da visão e da representação. Ela compreende já em germe trabalho intelectual, que em seguida se exprimirá na formação do conceito científico e como unidade lógica da forma.

Considerações Finais
A relação da linguagem com a filosofia e com a Antropologia Filosófica estabelece-se naturalmente, ou seja, quando o ser humano se dá conta da sua capacidade de falar, ele percebeu que poderia registrar seu pensamento e sentimento daquilo que vivencia. Assim, o homem procura o sentido de tudo aquilo que faz, para melhorar cada vez mais aquilo que faz. E é este contínuo aperfeiçoamento que a linguagem subsidia a filosofia e a Antropologia Filosófica e vice-versa.
Deste modo, procuramos mostrar a relação interdisciplinar da linguagem com as mesmas. Poderemos, no caso, deduzir a interdisciplinaridade ocorrendo pela linguagem humana que o manifesta pela sua obra.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CASSIRER, Ernst. Antropologia filosófica. Tradução: Vicente Felix de Queirós. 2ª ed. São Paulo: Mestre Jou, 1977.
MARCONDES, Danilo. Filosofia, linguagem e comunicação. 3ª ed. rev. amp. São Paulo: Cortez, 2000.
MONDIN, Batista. O homem: quem é ele? Elementos de antropologia filosófica. Tradução: R. L. Ferreira e M. A. S. Ferrari. São Paulo: Paulinas, 1980.

Saturday, February 21, 2009

Polêmicas hifenísticas e o Dr. Benvindo

O ponto mais polêmico do Acordo é o hífen. Hoje, no Estado de S. Paulo, o gramático Evanildo Bechara faz algumas considerações sobre o comportamento de "bem" prefixado.

No final das contas, "bem-vindo" ou "benvindo"? "Bem-feito" ou "benfeito"?

Segundo o texto do Acordo (cf. Base XV, 4º), o certo seria "benfeito": o advérbio "bem" aglutina-se com um segundo elemento que não começa por vogal ou h. Também "benvindo".

Evanildo Bechara conclui — "benfeito" é homófono de "bem-feito", mas são palavras com significados distintos "que o bom-senso e a fidelidade à intenção comunicativa mandam distinguir graficamente". "Bem-feito", adjetivo, teria a ver com o que é elegante, feito com esmero. Ao passo que o substantivo "benfeito" estaria ligado à ação de fazer o bem।
http://novaortografia.blogspot.com/2009/02/polemicas-hifenisticas-e-o-dr-benvindo.html

Wednesday, August 29, 2007

Monday, July 18, 2005

OS DESVIOS GRAMATICAIS

OS DESVIOS GRAMATICAIS
http://www.teacheronline.com.br/gramatica/artigo1.htm

Dentro da visão da gramática gerativo-transformacional, os tradicionais conceitos de "certo" e "errado", tão adequados às ciências exatas, cedem lugar ao que Chomsky denomina de grammatical e ungrammatical, e que poderíamos traduzir por "usual" e "não-usual", ou talvez por "autêntica" e "não-autêntica".

Usuais ou autênticas são as formas passíveis de serem usadas por falantes nativos, que na conceituação tradicional são denominadas de "corretas."

Não-usuais ou não-autênticas seriam os desvios produzidos por não-nativos, que na conceituação tradicional são denominadas de "erros." Estes, por sua vez, dividem-se em "aceitáveis" ou "eficazes" e "inaceitáveis" ou "ineficazes." O desvio "aceitável" ou "eficaz" é aquele que embora seja percebido por falantes nativos como não-autêntico, ainda assim cumpre com a finalidade de comunicar. Por exemplo, se um estrangeiro que está aprendendo português como segunda língua disser:

"Eu vai Porto Alegre amanhã." ou
"Eu gostar de beber cerveja brasileira."
estará produzindo desvios aceitáveis ou eficazes, uma vez que os mesmos não comprometem o entendimento. Entretanto, se este mesmo estrangeiro disser:
"Eu fui Porto Alegre amanhã."
estará produzindo um desvio inaceitável ou ineficaz, uma vez que compromete seriamente a comunicação da mensagem.

Sunday, July 10, 2005

Uma reflexão sobre a linguagem...

Uma reflexão sobre a linguagem...

“A teoria da linguagem é, simplesmente, aquela parte da psicologia humana que se ocupa de um 'órgão mental' particular: a linguagem humana. Estimulada por experiência apropriada e contínua, a faculdade da linguagem cria uma gramática que gera sentenças com propriedades formais e semânticas. Dizemos que um indivíduo domina a língua gerada por essa gramática. Utilizando–se de outras faculdades mentais relacionadas e das estruturas por elas produzidas, ele pode então passar a usar a língua que domina” (CHOMSKY, A. N. Reflexões Sobre a Linguagem, cap. 2, p. 33).

Abordagem Comunicativa

O Communicative Language Teaching, também chamado Communicative Approach ou Functional Approach, é a versão britânica do movimento iniciado no início da década de 60 em reação ao estruturalismo (estudo das formas da língua, de sua estrutura gramatical) e do behaviorismo (reflexos condicionados moldando o comportamento).

A combinação do estruturalismo na lingüística e do behaviorismo na psicologia educacional haviam dado origem ao audiolingualism, os métodos audioorais e audiovisuais surgidos nos anos 50, baseados em repetição mecânica e até hoje praticados por muitos cursos de línguas no Brasil. A abordagem comunicativa então, inspirada pela nova teoria de lingüística do norte-americano Noam Chomsky e pelas novas teorias de psicologia cognitiva de Piaget e Chomsky, e motivada pela crescente demanda por métodos de ensino de línguas mais eficazes, surgiu como uma forte reação contra o audiolingualism.

Na abordagem comunicativa, a unidade básica da língua, que requer atenção, é o ato comunicativo, ao invés da frase. A função se sobrepõe à forma, e significado e situações é que inspiram a planificação didática e a confecção de materiais. Competência comunicativa passa ser o objetivo em vez da construção de conhecimento gramatical ou da estocagem de formas memorizadas.

Sem dúvida, a abordagem comunicativa representa uma evolução inteligente em direção a um ensino-aprendizado de línguas mais humano e centrado nos interesses do aprendiz. É a abordagem comunicativa que inspira os métodos hoje mais eficazes. Serão entretanto menos eficazes esses métodos se limitarem-se a atividades tipo role-play artificializadas em sala de aula. Serão, isto sim, mais eficazes se proporcionarem assimilação natural através de interação humana, de situações reais de comunicação em ambientes multiculturais

Abordagem Comunicativa

THE COMMUNICATIVE APPROACH
ABORDAGEM COMUNICATIVA
Ricardo Schütz
Atualizado em 26 de julho de 2003
"Acquisition requires meaningful interaction in the target language - natural communication - in which speakers are concerned not with the form of their utterances but with the messages they are conveying and understanding." (Stephen Krashen)

O Communicative Language Teaching, também chamado Communicative Approach ou Functional Approach, é a versão britânica do movimento iniciado no início da década de 60 em reação ao estruturalismo (estudo das formas da língua, de sua estrutura gramatical) e do behaviorismo (reflexos condicionados moldando o comportamento).

A combinação do estruturalismo na lingüística e do behaviorismo na psicologia educacional haviam dado origem ao audiolingualism, os métodos audioorais e audiovisuais surgidos nos anos 50, baseados em repetição mecânica e até hoje praticados por muitos cursos de línguas no Brasil. A abordagem comunicativa então, inspirada pela nova teoria de lingüística do norte-americano Noam Chomsky e pelas novas teorias de psicologia cognitiva de Piaget e Chomsky, e motivada pela crescente demanda por métodos de ensino de línguas mais eficazes, surgiu como uma forte reação contra o audiolingualism.

Na abordagem comunicativa, a unidade básica da língua, que requer atenção, é o ato comunicativo, ao invés da frase. A função se sobrepõe à forma, e significado e situações é que inspiram a planificação didática e a confecção de materiais. Competência comunicativa passa ser o objetivo em vez da construção de conhecimento gramatical ou da estocagem de formas memorizadas.

Sem dúvida, a abordagem comunicativa representa uma evolução inteligente em direção a um ensino-aprendizado de línguas mais humano e centrado nos interesses do aprendiz. É a abordagem comunicativa que inspira os métodos hoje mais eficazes. Serão entretanto menos eficazes esses métodos se limitarem-se a atividades tipo role-play artificializadas em sala de aula. Serão, isto sim, mais eficazes se proporcionarem assimilação natural através de interação humana, de situações reais de comunicação em ambientes multiculturais.
The Communicative Language Teaching, also called Communicative Approach or Functional Approach was the British version of the movement in the early 60s in reaction to the structuralism and behaviorism embodied in the audiolingualism then predominant.

The new directions in the theory of language aired by Chomsky and an increasing demand for language teaching among the countries of the European Common Market were the thrusting forces behind this methodology. The basic unit of language became not the sentence, but the communicative act. Function rather than form, and meaning rather than pattern determine the designing of materials. Communicative competence rather than grammatical competence is the goal. Language is tentatively subdivided in areas according to functionality.

In my opinion the CLT was an intelligent move towards a more humanistic and learner-centered approach, eventually leading to language acquisition through bicultural human interaction. It will be less effective however if it provides only the artificial role-playing activities in a traditional classroom setting.

Tuesday, July 05, 2005

A Teoria da linguagem

A teoria da linguagem é, simplesmente, aquela parte da psicologia humana que se ocupa de um 'órgão mental' particular: a linguagem humana. Estimulada por experiência apropriada e contínua, a faculdade da linguagem cria uma gramática que gera sentenças com propriedades formais e semânticas. Dizemos que um indivíduo domina a língua gerada por essa gramática. Utilizando–se de outras faculdades mentais relacionadas e das estruturas por elas produzidas, ele pode então passar a usar a língua que domina” (CHOMSKY, A. N. Reflexões Sobre a Linguagem, cap. 2, p. 33).

About Chomsky

Philosopher Noam Chomsky.
Chomsky, who is a lingustics professor at MIT, made extremely fundamental contributions to linguistics during the 1950s. However, in the last 30 years or more, he has widely become known to the public as the foremost critic of US foreign policy in the world. He has been called 'the world's most important living intellectual'. The writer of dozens of influential and famous books and articles ,and the popularizer of the powerful phrase 'manufacturing consent', Chomsky is a beacon of dissent in the most powerful country in the world. Irrespective of whether we agree with his views or not, he is a great symbol of the freedom of speech, one which is essential in any democracy. In a world in which power and wealth has exceedingly become concentrated in the hands of a few, I think it is important for us to at least listen to the views of people like Chomsky. They represent the only possible safeguard against the rule of totalitarianism, official or unofficial.

Sunday, May 01, 2005

Meu amor por você
Por Jeni

Este amor sobreviverá em energia
Está impregnado no brilho da lua
Nas noites de verão
No brilho das estrelas, e na minha poesia!

Impossível não sentir
No meu olhar, no meu corpo
No meu cérebro, no meu dia
Um novo ser, ao amar você
que antes não existia

Sem emoções, sem sonhos, nem calafrios!...
Antes, apenas a realidade,
Sem sentir o prateado das noites
Sem saber que no silêncio há música
A música da eternidade...

É com você meu querido
Que meu corpo viaja , transcende...
Quando volto,
É teu sorriso e teu abraço gostoso
Que me envolve e me acende

Sunday, April 24, 2005

Uma poesia que vale a pena ler....

:: SIM, ESTOU :: Charles Bukowski

não importa com que mulher eu esteja
as pessoas me perguntam
você ainda está com ela?

na média meus relacionamentos duram
dois anos e meio
com guerra
inflação
desemprego
alcoolismo
apostas
falta de dinheiro
e minha própria personalidade degenerada
acho que me saio bastante bem

gosto de ler o jornal de domingo na cama com ela.
gosto de fitas laranja amarradas no pescoço do gato.
gosto de dormir de encontro a um corpo que conheço bem.
gosto dos chinelos pretos jogados ao pé da cama às
duas da tarde.
gosto de ver como saíram as fotos
gosto de ser socorrido nos feriados:
dia da independência, dia do trabalho, dia das bruxas, ação de graças, natal, ano novo
as mulheres sabem como navegar na tormenta
e elas têm menos medo do amor que eu

minhas mulheres me fazem rir quando comediantes profissionais
falham

tem aquele bem-estar de sair juntos para
comprar o jornal
me agrada muito estar sozinho
mas há também um estranho e afetuoso encanto em não estar sozinho

gosto de dividir batatas cozidas tarde da noite
gosto de olhos e dedos mais hábeis que os meus que podem
desatar os nós do cordão dos meus sapatos
gosto de deixá-la dirigir o carro em noites escuras
quando a estrada e a distância são demais para mim
o rádio do carro ligado
nós acendemos cigarros e falamos sobre coisas à toa
e de vez em quando
ficamos em silêncio

gosto de grampos de cabelo deixados na mesa e
no chão do banheiro.
gosto de dividir essas mesmas paredes com a mesma mulher
não gosto das brigas tolas e inúteis que às vezes
acontecem
e não gosto de mim mesmo nessas horas
não dando nada
não entendendo nada
sozinho ou acompanhado
gosto de aspargos cozidos
e rabanetes
e cebolinha
gosto de passar com o carro no lava-rápido
gosto quando tenho 10 pila para ganhar numa aposta de
6 para 1
gosto do radinho que toca
Shostakovich, Brahms, Beethoven, Mahler
mas também gosto quando alguém bate a porta
e é ela.
não importa com que mulher eu esteja
as pessoas me perguntam,
você ainda está com ela?
eles devem imaginar que as enterro
uma de cada vez em
Hollywood Hills

COTAS OBRIGATÓRIAS ::

COTAS OBRIGATÓRIAS ::
por Furio Lonza, publicado na Gonzo
Judiciário
De cada 5 juizes, deverá haver uma cota de pelo menos 2 que não poderão ter ligação alguma com o narcotráfico.

Teatro
Para cada peça que a Brasil Telecom e Petrobrás patrocinarem para o lobby Marieta Severo - Andréia Beltrão - Maria Padilha - Luana Piovani - Marília Pêra, essas empresas deverão financiar pelo menos 1 espetáculo de qualidade.

Horário Nobre
Para cada 5 coletivas do Bush no Jornal Nacional, a emissora deverá mostrar pelo menos duas conferências de Michael Moore ou Susan Sontag ou Noan Chomsky ou Norman Mailer.

Sexo
De cada 10 vibradores vendidos em lojas tipo sexshop, pelo menos 3 terão que ser negros e 1 circuncidado.

Chamadas na TV
Pelo menos 2 de cada 10 chamadas de filmes na telinha não poderão conter as palavras “adrenalina”, “armação” ou “turma do barulho”.

Hip Hop
Para cada banda de 32 componentes negrões, deverá ser reservada uma cota para pelo menos 2 albinos e 1 nissei. Tipo assim, tá ligado?

Putas
Para cada 10 mulheres brancas que casarem com pagodeiro de cabelo verde, deverá haver uma cota de pelo menos 3 que não poderão botar o nome de Andressa ou Talita nos filhos do casal.

Modelos
De cada 5 modelos, duas deverão saber soletrar o próprio nome.

Big Brother
De cada 10 participantes, haverá uma cota obrigatória de 2 que não dirão “Eu meio que quase não fui na feixta”.

Telenovelas

Em cada telenovela, para cada 10 modelos, haverá a obrigatoriedade de contratar pelo menos 2 atores profissionais.

Livrarias

De cada 7 livrarias, 2 deverão ter como atividade principal o livro.

Mundo Cão
Para cada 3 testes de DNA, o programa será obrigado a fazer pelo menos 1 teste de QI do apresentador.

Putas II
De cada 2 apresentadoras de TV, uma não poderá ser viúva de corredor de Fórmula 1 nem ter tido filho com astro de rock.

Caras

Para cada 10 páginas que a revista gasta nos namoros da Giovanna Antonelli e nas separações da Deborah Secco, ela deverá publicar pelo menos 2 poemas de Fernando Pessoa e 1 de Manoel de Barros.

Jornal Nacional
Haverá uma cota obrigatória de 2 notícias culturais para cada 10 vítimas de trens descarrilados em Kuala Lumpur ou tufões em Bangladesh ou de nascimentos de mimosos leõezinhos no zoológico de Palmeira dos Índios.

Cinema
Para cada 5 filmes do Cacá Diegues lançados anualmente e financiados por estatais, deverá haver pelo menos 2 de diretores preocupados com criatividade.

Rappers
Para cada 100 clips de rap na MTV, haverá uma cota obrigatória de pelo menos 1 em que a gente vai ter que entender a letra da música.

Dramaturgia

Para cada 5 atores negros que aparecem nas telenovelas da Globo, haverá uma cota obrigatória de pelo menos 1 que não terá alma de branco.

ABL
A cada 10 membros da Academia Brasileira de Letras, pelo menos 2 deverão ter escrito um livro na puta da vida.

Putas III
De cada 10 ex-mulheres do Ronaldinho, pelo menos 2 não poderão mostrar a bunda em revistas masculinas nos meses subseqüentes à separação.

Trabalho social
Para cada 4 projetos sociais que as socialytes da Barra fazem na Cidade de Deus, haverá uma cota de pelo menos 1 que elas não poderão descontar no Imposto de Renda.

Rocco

Para cada livro do Paulo Coelho, a editora terá que publicar outros tantos de Hunter Thompson, Boris Vian, Reinaldo Arenas, Jim Dodge, Joseph Mitchell, Javier Tomeo, Max Aub, Michel Houellebecq, Mário Bortolotto, Robert Walser, Raymond Carver, Stephen Dobyns, Witold Gombrowicz, Ernst Jünger.

Celebridades
De cada 10, pelo menos 2 deverão saber fazer alguma coisa, qualquer coisa, jogar xadrês, por exemplo, sei lá, colecionar selos, ter pelo menos um hobby, entender de passarinhos, porra, que merda!

Sunday, April 10, 2005

Exilada de você

Por Jeni
Estou exilada de você
Na solidão
A poesia interdita na minha alma
Experimento a dor do impossível
Deste inaudito e invisível amor
Só a sua lembrança me acalma

Um amor que morrerá em mim
E me fará renascer mais forte
Longe do meu universo e sem chão
Tão impregnado está que
Não é nem de longe a sua morte...

Saturday, April 09, 2005

25 - A traduzibilidade (primeira parte)


Atividade tradutiva deve considerar dois fatores: a distância cultural e a distância lingüística entre o texto que vai ser traduzido (prototexto) e o idioma/cultura do texto que vai ser produzido (metatexto).
As repercussões práticas deste enfoque da tradução são muitas. Em primeiro lugar, a formação do tradutor deve incluir, além dos conhecimentos lingüísticos necessários, o conhecimento específico de uma ou mais culturas da zona lingüística pertinente. Tomaremos o idioma inglês como exemplo.
Na maioria de nossos colégios, o segundo idioma que se ensina, com maior freqüência, é o inglês e, no âmbito de tal ensino, transmitem-se alguns elementos da cultura britânica. Nas faculdades de tradução, os temas culturais relativos à zona lingüística do inglês se referem principalmente à cultura britânica. Este conhecimento é indispensável para os futuros tradutores que se defrontarão com textos britânicos.
Mas, se os textos para tradução pertencem, por exemplo, às literaturas pós-coloniais, ou à literatura anglo-americana, será preciso contar com formação cultural relativa a estes países. Do contrário, o tradutor somente poderia alcançar a parte da tradução que se refira à transcodificação lingüística.
Não existe unanimidade quanto à análise das influências mútuas entre língua e cultura. Segundo o estudioso B. L. Whorf, a língua não é apenas um instrumento que permite expressar aspectos de uma cultura determinada, mas também uma espécie de catálogo, uma sistematização de um conhecimento que, de outro modo, estaria desordenado. Trata-se de uma percepção que contradiz o conceito tradicional de que, na relação entre língua e cultura, a primeira tem somente a função de formular conhecimentos adquiridos, independente da capacidade lingüística. Conforme Whorf, se é o idioma que dá forma e sistematiza o conhecimento, no caso de dois povos ou duas pessoas que falem idiomas distintos, com freqüência terão diferentes concepções do mundo e não somente diferentes formulações dos mesmos conceitos1. Na opinião de M. Dummett, a existência dos objetos depende da língua, é a língua que decide que tipos de objetos se reconhecem como existentes.
Por outro lado, a teoria de Whorf destaca, de forma implícita, a importância decisiva que tem a aprendizagem da língua materna, já que mediante ela o indivíduo aprende os mecanismos para sistematizar a experiência. Segundo esta teoria, a aprendizagem de um idioma estrangeiro também encerra a aprendizagem de um conceito diferente do mundo, de uma percepção diferente da cultura. Whorf acredita que não existe conhecimento sem uma língua materna e que, portanto, os indivíduos multilíngües não possuem um conhecimento unívoco.
Além desta concepção geral das relações língua/experiência/conhecimento, o pensamento de Whorf não é de grande interesse para o âmbito específico do tradutor, porque, quando ele se ocupa especificamente da tradução, se baseia na tradução palavra por palavra2. Do ponto de vista de uma teoria semiótica aplicada à prática da tradução, o fato de que a palavra "neve" corresponda, em esquimó, a uma série de palavras diferente não tem um interesse especial, nem significa que entre um esquimó e nós existam diferenças quanto aos processos intelectuais. Significa apenas que nossa experiência cultural é diferente.
Com Whorf, temos uma nova perspectiva, muito fascinante, segundo a qual a língua não é um mero instrumento expressivo, mas também, e sobretudo, um instrumento de conhecimento. Não nos estenderemos sobre a compreensão do conceito de traduzibilidade, a não ser para frisar que o tradutor interlingüístico deve ter capacidade de compreender uma nova concepção do mundo para cada nova língua-cultura que aprende. Não temos, com Whorf, uma indicação específica sobre a traduzibilidade, enquanto Sapir nos fornece indicações mais precisas sobre o que é ou não traduzível.
Ele é conclusivo ao classificar os textos em relação à tradução. Segundo este famoso lingüista, a arte não lingüística é traduzível, enquanto a arte lingüística não. Sapir estabelece outra distinção entre os textos nos quais prevalece o estrato em que, de maneira intuitiva, catalogamos nossa experiência pessoal (conteúdo latente da língua) e os textos caracterizados pela natureza específica do idioma no qual foram escritos. Os primeiros são, como é óbvio, mais traduzíveis, ao ter uma vinculação menor com a estrutura lingüística específica com que foram formulados3.
Hjelmslev afronta o problema da traduzibilidade dividindo as linguagens em duas categorias: as limitadas, como as linguagens artificiais da matemática, e as não-limitadas, que seriam as linguagens naturais. Segundo este lingüista dinamarquês, a traduzibilidade está garantida entre as linguagens não restringidas (naturais) e também ao se traduzir de uma linguagem restringida para uma não restringida, embora não o inverso:
"Any text in any language, in the widest sense of the word, can be translated into any unrestricted language, whereas this is not true of restricted languages. Everything uttered in Danish can be translated into English, and vice versa, because both of these are unrestricted languages. Everything which has been framed in a mathematical formula can be rendered in English, but it is not true that every English utterance can be rendered in a mathematical formula; this is because the formula language of mathematics is restricted, whereas English language is not4. (Qualquer texto em qualquer língua, no sentido mais amplo da palavra, pode ser traduzido para qualquer língua não restringida, ainda que isto não aconteça com as línguas restringidas. Tudo o que seja expresso em dinamarquês pode ser traduzido para o inglês, e vice-versa, porque são duas línguas não restringidas. Tudo o que se encerre em uma fórmula matemática pode ser expresso em inglês, mas não é possível expressar com fórmulas matemáticas todo enunciado em inglês. Isto é devido ao fato de que a linguagem das fórmulas matemáticas é restringida, embora a língua inglesa não seja).
W. V. Quine é um estudioso da língua que tem dado importante contribuição à teoria da tradução e pode, portanto, ser de grande ajuda para aclarar o conceito de tradução. Quine estabelece uma diferença entre a home language, a que se utiliza em casa, e a native language, a língua materna. Toda pessoa descobre prontamente que a native language de que falam seus compatriotas nem sempre coincide com sua home language e, portanto, para poder entender, é obrigado a submeter seus enunciados a uma tradução radical (radical translation), que permite diferenciar o significado e a pronúncia das mesmas palavras, conforme sejam ditas em família ou no âmbito mais amplo da comunidade que utiliza sua língua5.
O fato de que cada palavra adquire uma pronúncia ou um significado distintos em função do contexto em que é formulada e a conseqüente impossibilidade de formular critérios para uma única tradução possível para cada enunciado dão lugar ao conceito de Quine do caráter indeterminado da tradução (indeterminacy of translation). Dado que a linguagem familiar é a que proporciona a energia para enfrentar a língua dos demais falantes, para se habituar à indeterminação teórica (polissemia) dos significados lingüísticos, a tradução se torna o instrumento principal para aprender a língua e seus matizes semânticos. Por outro lado, um falante competente é sempre um bom "tradutor", em particular no sentido intralingüístico e intracultural, embora este raciocínio, por razões óbvias, não possa ser estendido à tradução interlingüística profissional.
Para Quine, o conceito da tradução se refere em primeiro lugar à tradução intralingüística. Na unidade seguinte, examinaremos o pensamento de outros estudiosos com relação ao conceito da traduzibilidade.

26 - A traduzibilidade (segunda parte)


Na unidade anterior, analisamos algumas das perspectivas sobre tradutologia de Sapir, Whorf e Quine. Há outro grande estudioso que mantêm um ponto de vista original sobre a relação expressão lingüística/consciência: Noam Chomsky [em russo, pronuncia-se "homski", e não "chomski"]1.
Segundo Chomsky, cada frase, antes de ser formulada,
é concebida como uma profunda estrutura no interior da mente. Num nível psicológico profundo, na opinião de Chomsky, uma frase em qualquer das línguas naturais tem sempre a mesma estrutura: as diferenças de cada construção lingüística somente se apresentam no aflorar da frase, quando o fenômeno psíquico se converte em fenômeno lingüístico.
A teoria chomskiana postula, assim, a existência de construções conceituais universais elementares, comuns a toda humanidade. Por isso, para Chomsky, a tradução interlingüística (e também a intralingüística) é sempre possível, porque os esquemas lógicos subjacentes nas linguagens naturais são constantes, uniformes. Basta atualizar, de modo diferente, uma mesma estrutura profunda para expressá-la em outro idioma
2.
Não é nosso objetivo propor aqui quão afortunada possa ser esta teoria em um campo estritamente lingüístico. Nos limitaremos a observar suas conseqüências para a tradutologia.
A concepção homskiana comporta a separação entre o nível informativo e o nível do estilo. Tudo que deriva das "estruturas profundas" é informação, enquanto que a maneira de expressar tal informação tem uma importância secundária e pertence ao campo dos signos formais
3.
Voltando à distinção estabelecida por Hjelmslev entre os planos de expressão e de conteúdo, a tradução sempre possível, segundo Chomsky, é a do conteúdo, enquanto o plano da expressão torna-se mero acessório. É uma concepção que exclui toda tradução literária e, por extensão, todo tipo de tradução de textos que, embora não sejam de natureza literária, possuam alguma característica conotativa. É evidente que, em um texto conotativo, o dominante, segundo Chomsky, está mais ligado à estrutura superficial que à estrutura profunda. Isto significa que, para Chomsky, a possibilidade de traduzir é ilimitada no que diz respeito a textos "fechados", que somente podem ser interpretadas de uma maneira, sem conotações. Ou seja, a uma parte exígua dos textos reais.
Whorf, Quine e Chomsky são lingüistas por formação, mas o problema da traduzibilidade não pode ser enfrentado de modo exaustivo se for limitado a considerações de tipo lingüístico: um texto é um fenômeno cultural que, dentro de sua cultura, exerce e sofre muitas influências. Neste sentido, tanto o original quanto sua tradução compartilham igual importância. Antes de ser lingüística, toda tradução é cultural:
"language, text, and text function are different reflections of a single culture. For that reason, from the point of view of total translation, it is more convenient to speak of culture translatability. The total translatability concept is complementary, comprising many different parameters within its field"
4 (língua, texto e função do texto são reflexos distintos de uma mesma cultura. Por isto, do ponto de vista da tradução total, é mais oportuno falar da traduzibilidade da cultura. A traduzibilidade total é um conceito complementar que abarca muitos parâmetros distintos dentro de seu campo).
Se avançarmos um passo além do dilema da intraduzibilidade lingüística dos textos conotativos, podemos considerar o conceito de traduzibilidade como a possibilidade de funcionamento de um texto como elemento cultural dentro de sua cultura. De um lado, devemos decidir se e de que modo é traduzível a cultura representada em um texto; de outro, temos de saber que relação meta e intertextual o texto tem com a cultura que o recebe, uma vez traduzido.
Outro aspecto fundamental da traduzibilidade é a necessidade que o tradutor sente, às vezes, de tornar mais explícito o significado do texto. O autor do original pode permitir-se algumas ambigüidades, palavras polissêmicas ou expressões, mas não o tradutor, porque o fato de ler o original e de planejar escrevê-lo no idioma e na cultura que o receberá implica um processo de interpretação racional e, na fase de reescrita, a explicação dessa racionalização.
Quando um tradutor não entende uma passagem, uma alusão, uma referência do autor do prototexto, essa incompreensão normalmente se revela na tradução. As características implícitas no prototexto se fazem explícitas no metatexto, e as que não se fazem explícitas formam parte do resíduo ou perda da tradução, devido a uma eleição racional do tradutor ou a sua incompreensão. O ato de traduzir deve não apenas transmitir o conteúdo do original, mas, também, deixar sua estrutura a descoberto
5.
"The demonstrative nature of translation as text representation must not be regarded as only subsidiary. On the contrary, it is one of the constitutive features of this subcategory of representatives since it distinguishes translation as a speech act from, for example, interpretation in the form of critical comment, or essay, and similar meta-literary achievements"
6. (A natureza reveladora da tradução como representação do texto não deve ser considerada somente subsidiária. Pelo contrário, é uma das características fundamentais desta subcategoria de representações, uma vez que diferencia a tradução como um ato de falar, por exemplo, da interpretação em forma de comentário crítico ou ensaio e outras atividades metaliterárias semelhantes).
Como vemos, segundo Broeck a tradução é, por sua própria natureza racionalizadora, uma forma de interpretação semelhante ao ensaio crítico ou à resenha. Portanto, a tradução neutral não existe. Se cada tradução é um processo de interpretação racional, é oportuno que tal perspectiva crítica se exponha também ao leitor.
Portanto, esta racionalização inscrita no processo tradutivo desempenha também um papel de conseqüências importantes. Na unidade seguinte, veremos de que maneira é possível aproveitar o processo de desvelamento do texto, em lugar de negar a idéia como um fenômeno tão incômodo quanto evidente, com o fim de melhorar a traduzibilidade através de uma gestão racional do resíduo no metatexto.

Bibliografia
BROECK R. VAN DEN Literary Conventions and Translated Literature, in Convention and Innovation in Literature, a cargo de T. D'haen, R. Grübel, H. Lethen, Philadelphia, Benjamins, 1989, p. 57-75.CHOMSKY N. Questions of Form and Interpretation, Lisse, Peter de Ridder, 1975.CHOMSKY N. Reflections on Language, Nova York, Pantheon Books, 1976.NIDA E. Semantic Components, in Babel, 8, 4.TOROP P. La traduzione totale. Ed. de B. Osimo. Módena, Guaraldi Logos, 2000. ISBN 88-8049-195-4. Ed. or. Total´nyj perevod. Tartu, Tartu Ülikooli Kirjastus [Tartu University Press], 1995. ISBN 9985-56-122-8.
1 Chomsky 1976, p. 182.2 Chomsky 1975, p. 37.3 Nida 1962.4 Torop 2000, p. 112.5 Torop 2000, p. 113 f.6 Broeck 1989, p. 59.

Tuesday, March 29, 2005

Poesias pra você

Com Você eu quero...
Por Jeni

Com você eu quero...
Ao deus do amor obedecer
E em meio a esse delírio consciente
permitir que prepares meu corpo
E entregá-lo a você, completamente

Com você eu quero...
Viver a vida plenamente
Como nos versos de Drumond de Andrade
“andar de mãos dadas”
Quando se tem um amor de verdade

Mas o presente é
uma realidade nebulosa e fugidia
assomada à esperança
de me acalmar em meio aos teus e-mails
da madrugada ao sol do meio dia

Meu peito dói de tanto amor
Minha alma sente cada palavra
Virtualmente encaminhada
Mergulhada na delícia desses sonhos
posso dormir então, aliviada

Com você eu quero...
Partilhar e acrescentar todos os dias, cada vez mais
E como dizem os versos de Vinicius de Morais
“Viver cada segundo como nunca mais”


Poema para o meu amor
Por Jeni
Sinto meu amor singrando ao vento
cortando os mares da angústia e do medo
Sobrevivendo ao constante perigo de ser tragado pela ansiedade...
E arremessado pelas rajadas fortes da paixão.
E esse sentimento suave que me tem dominado todas as manhãs
Quando não permito entregar-me à razão das ondas...
É meu prêmio por cumprir a parte sagrada que a todo amor
Cabe.

Let’´s get it on
By Jeni

Let’s get it on
We are here together
our bodies say more and more
we belong to each other forever

Vem comigo meu amor…
Por Jeni

Com você
Tenho noites delirantes
Quando nutres do meu amor
Quando me beijas com teu calor...
Teu rosto sorrindo pra mim
Me dizendo o tempo todo que sim...

Somos amantes, namorados...
Dois loucos apaixonados
Repletos de paz
Não há futuro, nem passado
Há um presente parado
onde o tempo não é contado...

O depois é o nosso agora
O agora é o nosso sempre

Fica comigo meu amor
dentro desse sonho
Olha quanto existe lá...
Do melhor que tem a vida
Quando se sabe realmente amar...




Thursday, March 17, 2005

Palavras e Expressões Estrangeiras

"Um Livro informativo, útil e esclarecedor ao mesmo tempo que coloquial, acessivo, divertido e instigante, este livro lista 1557 "estrangeirismos" que entram ou estão entrando na nossa língua portuguesa(...)"
Este livro, assim como seu autor,Luis Augusto Ficher, encara a língua portuguesa - e qualquer outra língua viva - como algo livre de amarras, em constante transformação e, portanto, passível de incorporar novos termos; sem, no entanto, esquecer o momento de subserviência econômica em que vivemos, no qual proliferam modismos lingüísticos exagerados e desnecessários. Com inteligência, humor e ironia, totalmente ilustrado, Dicionário de palavras & expressões estrangeiras é destinado a todos aqueles que, não importando a idade, escolaridade ou especialização, tem curiosidade sobre coisas da linguagem"

Friday, March 11, 2005

"Os bichos ensinam"

Estarei lá, e você?
Vamos prestigiar o Odir e nos presentear com uma boa leitura!
Beijos da Jê
Jeni,
O lançamento do livro "Os bichos ensinam" será dia 23 deste mês, > quarta-feira, a partir das 19 horas, na loja Siciliano do Shopping
Higienópolis.
O livro, editado pela Editora Códex, e escrito por mim, traz 30 lições que
extraí da vida de animais em seus habitats naturais. Minha mania de assistir
documentários no Discovery Channel e no National Geographic acabou se
tornando proveitosa.
Há um texto de cerca de 1.500 caracteres para cada história, com uma foto de
página inteira. Quem viu até agora, gostou muito. Acho que é bom para ler,
refletir, e também é um bom presente para um público variado, que vai desde
adolescentes a idosos.
Podemos aprender muito observando a vida dos animais e como eles resolvem
seus problemas básicos, que, na verdade, são os mesmos que nós temos:
alimentar-se, sobreviver, proteger a família, tentar ser um líder...
Bem, se quiser saber mais, estou às ordens. Espero vê-la lá dia 23. Leve os
amigos. O livro é bem baratinho (25 reais) e vai rolar um vinhozinho gelado.
Forte abraço,
Do sempre teu,
Odir Cunha, o Beat

Tuesday, March 08, 2005

Linguajar nas Redações dizem...


que este e-mail foi distribuido pela gerência de recursos humanos da sucursal do Financial Times em São Paulo, acerca do linguajar pouco educado que anda tomando conta das redações da revista no Brasil.Tem gente que se surpreende. O texto está em inglês, mas não é preciso muita intimidade com a idioma do Príncipe Charles para apreciá-lo...
Subject: Improper Language UsageTo: all Portuguese-speaking staffIt has been brought to our attention by several officials visiting our corporate headquarters that offensive language is commonly used by our Portuguese-speaking staff. Such behavior, in addition to violating our policy, is highly unprofessional and offensive to both visitors and colleagues. Staff will IMMEDIATELY adhere to the following rules:1. Words like - CARALHO, CAGADA - and other such expressions will not be used for emphasis, no matter how heated the discussion.2. You will not say -TO CAGANDO E ANDANDO - when someone makes a mistake, or -NAO FAÇA MAIS CAGADAS - if you see somebody either being reprimanded or making a mistake, or - QUE CAGADA - when a major mistake has been made. All forms derived from the verb - CAGAR - are inappropriate in our environment.3. No project manager, section head or administrator, under any circumstances, will be referred to as - O FILHO DA PUTA - ESSE CORNO -, or - O VIADINHO ENGOMADO -.4. Lack of determination will not be referred to as -FALTA DE BOLAS ROXAS -, and neither will persons who lack initiative be referred to as -BOIOLA-, or -MORDE A FRONHA -.5. Unusual or creative ideas from your superiors are not to be referred to as -PUNHETAS MENTAIS -.6. Do not say -PENTELHA - if a person is persistent, or if a task is heavy to accomplish. In a similar way, do not use -FODA-SE-, if a colleague is going through a difficult situation. Furthermore, you must not say - QUE MERDA, FUDEU NEGADA - when matters become complicated.7. When asking someone to leave you alone, you must not say -SAI FORA JABURU -. Do not ever substitute 'May I help you?' with QUE PORRA VOCE QUER -? When things get tough, an acceptable expression such as 'We are going through a difficult time' should be used, rather than ISTO ESTÁ UMA BOSTA - or - O Ó DO BOROGODÓ -8. No salary increase shall be ever referred to as -AUMENTINHO DE MERDA-.9. Under no circumstances should you call our elderly corporate partners los -VELHOS PAPA-ANJO -.10. Last, but not least, after reading this memo please do not say - VOU LIMPAR O +AF8AXw- COM ISTO -. Just keep it clean and dispose of it properly.We hope you will keep these directions in mind.Thank you.Human Resources Director +ACI-PS: This message is confidential. It may also be privileged or otherwise protected by work product immunity or other legal rules. If you have received it by mistake please let us know by reply and then delete it from your system+ADs- you should not copy the message or disclose its contents to anyone.

Monday, February 28, 2005

Desiderata in English

Max Ehrmann
Desiderata
Go placidly amid the noise and haste,and remember what peace there may be in silence.
As far as possible without surrenderbe on good terms with all persons.
Speak your truth quietly and clearly;and listen to others,even the dull and the ignorant;they too have their story.
Avoid loud and aggressive persons,they are vexations to the spirit.
If you compare yourself with others,you may become vain and bitter;for always there will be greater and lesser persons than yourself.
Enjoy your achievements as well as your plans.
Keep interested in your own career, however humble;it is a real possession in the changing fortunes of time.
Exercise caution in your business affairs;for the world is full of trickery.But let this not blind you to what virtue there is;many persons strive for high ideals;and everywhere life is full of heroism.
Be yourself.Especially, do not feign affection.Neither be cynical about love;for in the face of all aridity and disenchantmentit is as perennial as the grass.
Take kindly the counsel of the years,gracefully surrendering the things of youth.Nurture strength of spirit to shield you in sudden misfortune.But do not distress yourself with dark imaginings.Many fears are born of fatigue and loneliness.Beyond a wholesome discipline,be gentle with yourself.
You are a child of the universe,no less than the trees and the stars;you have a right to be here.And whether or not it is clear to you,no doubt the universe is unfolding as it should.
Therefore be at peace with God,whatever you conceive Him to be,and whatever your labors and aspirations,in the noisy confusion of life keep peace with your soul.
With all its sham, drudgery, and broken dreams,it is still a beautiful world.Be cheerful.Strive to be happy.
Max Ehrmann, Desiderata, Copyright 1952.